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Faz hoje (Dezembro de 2010) 100 anos que...

Centenário da República Portuguesa

Faz hoje 100 anos que...


1 de Dezembro de 1910 - A festa da bandeira
O jornal O Século dedica a primeira página à festa da bandeira, exaltando que “as manifestações do primeiro dia de gala nacional, depois do advento da República, perpetuarão uma era de paz e ressurgimento da nossa raça”. Em Lisboa as festas deste dia feriado contarão com um cortejo cívico, no qual participarão diversas colectividades, escolas, institutos, associações e centros republicanos e com um cortejo fluvial, marcado pelo descerrar da “nova placa do cruzador D. Carlos, que passará a denominar-se Cruzador Almirante Reis, em homenagem à memória do ilustre oficial da armada a quem se deve, em grande parte, o triunfo da República”. Outros eventos marcarão ainda este dia, como por exemplo: a cantina escolar de S. Mamede “oferece um jantar ás crianças nela matriculada”; e o Teatro Nacional de S. Carlos contará com o “verbo eloquente e cintilante de Alexandre Braga”, bem como uma apresentação de A Portuguesa, “cantada pelos coros, no meio de todos os artistas da companhia francesa, acompanhados pela orquestra, sob a direcção brilhante do maestro Floss”.
Fonte: O Século n.º 10407, 1 de Dezembro de 1910, p.1

2 de Dezembro de 1910 - Hoje não há notícias!
Nota na página do jornal O Século do dia anterior:
“Em vista da empresa do “Século” ter resolvido, solidariamente com os outros jornais de Lisboa, observar os feriados decretados pelo governo da República, na se publica amanhã este jornal, conservando-se fechados os nossos escritórios”.
O feriado do 1.º de Dezembro foi uma das mais importantes celebrações republicanas, sobretudo no início do regime, quando foi utilizado para a afirmação de um dos novos símbolos nacionais: a bandeira.
Fonte: O Século n.º 10407, 1 de Dezembro de 1910, p.2


3 de Dezembro de 1910 - Ainda a festa da bandeira
O jornal O Século faz o relato completo da “primeira festa da República”, marcada pela “consagração da nova bandeira nacional”, referindo que “apesar da enfadonha chuva, executa-se todo o programa, sendo descobertas as placas com os nomes do cruzador “Almirante Reis”, avenidas da República e 5 de Outubro, e saudando o pavilhão da Pátria com uma imponente manifestação”.
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O mesmo periódico noticia ainda as comemorações no restante país: no Porto embora o cortejo não tenha saído à rua, “em virtude do mau tempo”, as “casas e os edifícios particulares tiveram, durante o dia, a bandeira revolucionária hasteada”; em Beja fez-se “uma sessão solene na câmara municipal”; em Aveiro “crianças das escolas, povo, militares e todas as classes daquela cidade vão em cortejo desfilar ante a estátua de José Estêvão”; em Elvas uma “enorme multidão dirige-se em cortejo ao Castelo, onde é arvorada a nova bandeira”; em Ferreira do Alentejo “a vereação convida o povo a entrar no edifício da câmara, onde lhe oferece uma taça de champanhe”; em Vila Real de Santo António “um brilhante cortejo cívico cumprimenta os representantes das nações estrangeiras”.
Fonte: O Século n.º 10408, 3 de Dezembro de 1910, pp.1 e 6.

4 de Dezembro de 1910 - Inundações no Ribatejo
O jornal o Século noticia “as chuvas torrenciais que têm feito transbordar as águas do Tejo” e que têm causado inundações em várias localidades ribatejanas. Relata aquele periódico:
“Santarém, 3 - As águas do Tejo engrossaram hoje por tal forma que já estão inundados os campos de Almeirim e de Santarém, galgando a estrada que liga esta cidade àquela vila, estando desde esta tarde o trânsito limitado ao transporte de barcos. As comunicações para Alpiarça também estão cortadas. Na ribeira desta cidade estão inundadas as ruas de Palhaes, da Piedade, Pardinha e largo da Fonte de Palhaes. (…)
Por ordem do sr. governador civil substituto foram tomadas todas as providências contra qualquer eventualidade, mandando que a todas as terras a jusante de Santarém, ameaçadas pela cheia, fossem comunicadas as evoluções da enchente, para o que reclamou o serviço telegráfico permanente. (…)
A secção hidráulica está também de serviço permanente, ficando ali os empregados durante a noite e outros prestando serviços de socorros. (…)
O dia de hoje conservou-se sem chuva, sendo de prever que as inundações comecem a descer amanhã”.
Fonte: O Século n.º10409, 4 de Dezembro de 1910, p.2

5 de Dezembro de 1910 - As perigosas ruas do Bairro Alto
“Nas ruas do Bairro Alto não pode transitar gente de bem”. É com esta frase que o jornal O Século chama a atenção para a segurança no Bairro Alto. Relata-se naquele periódico: “A caminho da nossa redacção, no exercício das nossas funções, são
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inúmeras as vezes que, todas as noites, temos de atravessar o Bairro Alto. Ultimamente, porém, não é sem um certo receio que o fazemos, visto que, depois de determinada hora, se torna perigoso ali transitar. Não têm, evidentemente, conhecimento do estado em que se encontra aquele sítio os srs. governador civil e comandante da polícia, porque, estamos certos, providências teriam já sido dadas, no sentido de impedir os desmandos que ali se vão praticando (…)”.
O redactor acrescenta ainda a urgência de se tomarem medidas urgentes, para que “dentro em poucos dias, Lisboa, esta cidade democrática, cheia de civismo, abrigo de um povo heróico” seja “uma das mais disciplinadas e tranquilas cidades da Europa, como tem direito e como urge que seja”.
Fonte: O Século n.º 10410, 5 de Dezembro de 1910, p.2

6 de Dezembro de 1910 - Raymond, o mágico
O jornal O Século anuncia a estreia, no Coliseu dos Recreios, do “mais fenomenal dos artistas ilusionistas da actualidades, o grand Raymond, que acaba de obter um triunfo colossal em Inglaterra”. O periódico refere que “constitui este espectáculo uma verdadeira maravilha, que ninguém deve deixar de ir ver e admirar, porque dá apenas quatro funções no elegante e popular teatro da rua de Santo Antão”. E acrescenta: “Raymond tem sido alcunhado de mago e bruxo porque os seus trabalhos parecem verdadeiros sortilégios. Eis alguns desses trabalhos: «Os bonbons mágicos japoneses»; «Pesca aérea com rede»; «O gabinete das bruxas», «O trono do mistério»; «Leque giratório misterioso»; «Os copos gigantescos de ouro» (ilusão descritiva da lenda faraónica dos copos aéreos); «A gaiola encantada» (Raymond cria seres vivos do ar); «A mão do Fado» e outros surpreendentes trabalhos de ilusionismo”.
Fonte: O Século n.º 10411, 6 de Dezembro de 1910, p.3

7 de Dezembro de 1910 - Reboliço entre os Aguadeiros
Relata o jornal O Século um pequeno episódio do quotidiano lisboeta: “Ontem de tarde, no chafariz de Dentro, por causa da “vez”, vários aguadeiros que ali se encontravam envolveram-se em desordem, distribuindo entre si grande cópia de murros e pontapés, com aquela delicadeza peculiar à classe.
No meio da refrega, porém, um deles, de pulso rijo, alçando no ar o barril, descarregou-o sobre a cabeça do seu companheiro Abílio Antunes, sem residência certa, abrindo-lhe um lenho de respeitáveis dimensões. Acudindo a polícia da 15.ª esquadra, Caminhos de Ferro, foi o Abílio levado a curar ao posto de socorros do hospital da Marinha, onde lhe
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suturaram o ferimento com grande número de pontos naturais. Com a aparição de vários guardas cívicos a contenda terminou e tudo foi restituído à habitual normalidade”.
Fonte: O Século n.º 10412, 7 de Dezembro de 1910, p.2

8 de Dezembro de 1910 - Inauguração de balneário
O jornal O Século anuncia a inauguração do balneário da Esperança, sito naquela rua e “instalado a expensas da Misericórdia de Lisboa”.
O novo balneário compõe-se de “uma vasta sala, toda ladrilhada” que “obedece a todos os preceitos da moderna higiene” e que “constitui um grande benefício para as classes desprotegidas, às quais vai proporcionar os meios de satisfazer a uma das mais instantes necessidades da vida – a limpeza”.
Os banhos serão tomados em compartimentos compostos interiormente “de uma espaçosa tina de pedra, que recebe água fria e água quente por meio de um sistema de torneiras assentes na parede”, sendo que “a cada pobre são fornecidos (…) um lençol, uma toalha e um sabonete”. Para fazer uso dos banhos “basta apresentar um atestado de pobreza, passado pelo regedor da freguesia em que se encontra o balneário (…)”.
Fonte: O Século n.º 10413, 8 de Dezembro de 1910, p.1

9 de Dezembro de 1910 - Busto da República
O jornal O Século noticia o “primoroso trabalhado” executado “pelo moço escultor Simões de Almeida (Sobrinho), cujos talentos se vêm, de há muito, evidenciando em várias obras de fôlego”: um busto alegórico à “República”, modelado em 1908, “a fim de satisfazer uma encomenda que lhe foi feita pelo dr. José de Castro”.
O busto foi realizado de acordo com “o ideal de que aquele ilustre democrata foi um dos mais activos e brilhantes paladinos” e conta agora com uma forte divulgação, uma vez que o encomendador, “de acordo com o notável estatuário, mandou fazer numerosas reproduções (…) em gesso, as quais deverão ser postas brevemente à venda”.
Naquela obra a República é “representada por uma mulher divinalmente formosa, tipo genuíno de mulher portuguesa, de cujo rosto se irradia uma luz suave e amorável. A expressão da fisionomia é, ao mesmo tempo, bela, serena e altiva, resplandecente de vida e de energia, reflectindo bem a República tal como nós, portugueses, a sonhamos e almejamos”.
Fonte: O Século n.º 10414, 9 de Dezembro de 1910, p.1

10 de Dezembro de 1910 - Exposição de quadros de Augusto Crotti
Teve eco na imprensa e no jornal O Século a inauguração, no salão da Ilustração Portuguesa, da exposição de quadros do pintor italiano Augusto Crotti. Descreve aquele periódico: “Cerca de trinta trabalhos se ostentam nas paredes do salão do brilhante magazine, sendo difícil destacar um ou outro, visto que todos, indistintamente, nos falam com louvor do artista que os produziu. Seja-nos, porém, lícito referir aos retratos dos srs. dr. Bernardino Machado, Guerra Junqueiro e escultor Teixeira Lopes, cuja fidelidade é flagrante. (…) O eminente democrata e estadista Bernardino Machado é, no retrato (…), o amigo amorável que as crianças conhecem; Guerra Junqueiro, o poeta iluminado dos Simples; Teixeira Lopes, o espírito devaneador de poeta que se fixou e imortalizou no mármore. (…) Entre as numerosas pessoas que visitaram ontem a exposição, viam-se os srs. dr. Bernardino Machado e ministros de Itália e filha e alguns críticos e representantes de jornais”.
Fonte: O Século n.º 10415, 10 de Dezembro de 1910, p.1

11 de Dezembro de 1910 - Bernardino Machado presidente da SGL
A eleição de Bernardino Machado para a presidência da Sociedade de Geografia de Lisboa é notícia de primeira página no jornal o Século. O “notável estadista e professor”, então ministro dos negócios estrangeiros, foi eleito por “190 votos entre 210 listas que entraram na urna, para exercer as elevadas funções presidenciais daquela importante agremiação”. O redactor da notícia exalta as “excepcionais qualidades” de Bernardino Machado, “já sobejamente demonstradas na sua longa e honrosa vida pública, e que nem mesmo os seus mais ferrenhos adversários políticos tentam, sequer, depreciar, pois reconhecem quanto esse intento seria baldado”.
Fonte: O Século n.º 10416, 11 de Dezembro de 1910, p.1

12 de Dezembro de 1910 - Convento que se transforma em quartel
O jornal O Século noticia: “A cidade do Mondego vai ter um quartel modelo, talvez o melhor do país, higiénico, acondicionado para receber mil pessoas e com uma situação invejável. Aproveitou-se para a sua construção o vastíssimo edifício de Sant’Ana, mandado construir no século XVII pelo bispo de Coimbra (…) para convento das freiras da ordem de Santo Agostinho. (…)
A situação do edifício é (…) admirável. Está no planalto do Penedo da Saudade, dominando o rio e a cidade em grande extensão. (…)
O novo quartel ocupará uma superfície coberta de 4.300 metros quadrados, em três pavimentos num dos corpos e dois nos restantes. Poderá alojar 500 homens em
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excelentes condições. No rés-do-chão ficam as cozinhas do rancho geral e dos sargentos, com refeitórios e arrecadações; as casernas de 1 batalhão e 3 companhias, com todas as dependências, aulas, arrecadação geral, prisões, oficinas e cavalariças. No primeiro andar estão instaladas as casernas e dependências de 2 batalhões, o quartel dos músicos, as secretárias e gabinetes dos oficiais superiores, a biblioteca, a sala de honra, a sala de oficiais e a sala de armas. No segundo andar (…) ficarão a enfermaria regimental com as suas várias dependências, os quartos de oficiais e habitação do caseiro militar.
A antiga igreja e o vasto coro foram demolidos, sendo construído de novo, em seu lugar, o corpo de comando, que constituirá a fachada principal, de arquitectura sóbria mas elegante. (…)”
Fonte: O Século n.º 10417, 12 de Dezembro de 1910, p.1

13 de Dezembro de 1910 - Crónica do bem
O jornal O Século faz o relato de acções beneméritas diversas: “Uma anónima, em regozijo pelas melhoras de sua filha, enviou-nos 500 réis para entregarmos a uma nossa protegida que sofra de doença pulmonar. (…)
Do sr. Manuel Martins Travassos (…) recebemos uma encomenda de 500 réis no bilhete de lotaria n.º 4.277, a fim de reverter o seu produto, no caso de ser premiado, em favor de um dos nossos protegidos.
Na sucursal do Rossio também deixou C.P. um livro do Método João de Deus, para entregarmos a um estudante pobre que dele careça.
Recebemos da Irmandade e Caridade de Nossa Senhora das Dores e Santíssimo Coração de Jesus, em Belém, duas senhas destinadas a dois dos nossos protegidos para o bodo que aquela colectividade tenciona distribuir a 100 pobres (…).
Em nome dos contemplados, agradecemos.”
Fonte: O Século n.º 10418, 13 de Dezembro de 1910, p.3

14 de Dezembro de 1910 - Questões meteorológicas
Na sequência das chuvas torrenciais e das cheias que atingiram o país no Inverno de 1910, o jornal O Século dá destaque à teoria dos astrónomos Charles Nordmann e Camilo Flamarion, que defendem que “as chuvas torrenciais que há dois anos vêm caindo, ameaçando dissolver a Terra, são nem mais em menos (…) motivadas por uma doença de que o sol vem há tempos sofrendo”.
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Embora o redactor da notícia considere esta teoria “interessante”, não descura ouvir a opinião de um meteorologista português, o sr. Teles de Vasconcelos, funcionário do Observatório D. Luís que, “esboçando um sorriso incrédulo, disse que a meteorologia se encontra, por enquanto, em embrião”, referindo então que “não é fácil, dados os conhecimentos até agora adquiridos, sujeitar a leis os fenómenos que dia a dia se produzem, sendo, portanto, uma fantasia, como tantas outras, a teoria que Nordmann formula para explicar as inundações (…)”. Mais acrescenta Teles de Vasconcelos: “Nordmann e Flamarion (…) são os poetas das ciências astronómicas. A fantasia guia-os constantemente através dos milhões e milhões de astros que giram, errantes, pelo espaço. Que admira, pois, que um deles, tão deslumbrado como o outro perante as maravilhas que os seus telescópios desvendam, formulem, para rasgar um mistério, uma hipótese que no fundo não vale mais do que um soneto de qualquer vale de génio?"
Fonte: O Século n.º 10419, 14 de Dezembro de 1910, p.1

15 de Dezembro de 1910 - Casamento do Dr. António José de Almeida
Teve eco na imprensa e no jornal O Século o casamento de António José de Almeida. Relata aquele periódico: “Bastou que o Século noticiasse ontem o casamento (…) do ilustre ministro do interior, com a sr.ª D. Maria Joana Morais Queiroga, para que uma grande multidão de pessoas convergisse à rua da Mouraria (…), ansiosa de testemunhar ao noivo a simpatia que lhe consagra, como a um dos mais fervorosos e sinceros propagandistas da generosa e prometedora República”.
A noiva “vestia uma simples mas elegante toilette de seda branca e chapéu preto com duas plumas e numa das mãos levava um pequeno ramo de flores de laranjeira. O sr. dr. António José de Almeida vestia de casaca”.
O jornal descreve a toda cerimónia, terminando a notícia com a indicaçao de que “os recém-casados, por cujas venturas fazemos os mais sinceros votos, foram passar a lua-de-mel fora de Lisboa”.
Fonte: O Século n.º 10420, 15 de Dezembro de 1910, p.1

16 de Dezembro de 1910 - Vegetarismo em Portugal
O jornal O Século anuncia que “com o intuito de centralizar a propaganda do vegetarismo em Portugal, vai fundar-se no Porto uma associação que, sob o título Sociedade Vegetariana de Portugal, terá por fim orientar os seus sócios no regímen e modo de viver de acordo com a Natureza, única fonte de saúde e vigor, propondo-se também morigerar o povo português, aliás de boa índole, espalhando a esmo, em folhas soltas, os perigos do alcoolismo, tabaco, dos excitantes de qualquer espécie, erros e maus hábitos, e ainda pugnar pelo progresso e bem-estar do mesmo povo, e pela
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melhoria das suas condições económicas”. A mesma associação propõe ainda conservar-se “rigorosamente estranha a toda a política partidária e credo religioso”, e distribuir gratuitamente aos seus sócios o periódico mensal O Vegetariano, “em cujas páginas se dará conta do progresso do vegetarismo no estrangeiro”.
Fonte: O Século n.º 14421, 16 de Dezembro de 1910, p.4

17 de Dezembro de 1910 - As mulheres portuguesas e a política
Neste dia o jornal O Século apresenta um artigo da autoria de Maria Veleda, no qual a autora se debruça sobre o feminismo e o seu enquadramento político. Veleda introduz o seu texto referindo que “aparte um limitado número de senhoras, que têm vindo defendendo as justas reivindicações feministas”, o feminismo em Portugal “não passa ainda duma longínqua e vaga aspiração”.
A autora chama a atenção para a necessária – mas não ideal, na sua opinião – politização da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas: “A Liga (…) não teria encontrado as mínimas possibilidades de êxito, se lhe não dessem no seu início a cor retintamente política (…). Sem essa feição política, a liga teria baqueado logo aos primeiros passos. Hoje ainda, depois da proclamação da República, julgo não estar em erro se disser que a maioria das suas associadas reprovariam que a Liga deixasse de ser uma instituição de carácter político para se transformar numa Liga de Defesa dos interesses da mulher. Pois era isto que a nossa Liga deveria ter sido sempre, desde o seu início – não uma liga republicana, mas uma liga de defesa dos nossos direitos – se a mulher portuguesa estivesse apta para reivindicá-los”.
Fonte: O Século n.º 10433, 17 de Dezembro de 1910, p.5

18 de Dezembro de 1910 - O pintor Dórdio Gomes parte para Paris
O jornal O Século anuncia a partida para Paris de Dórdio Gomes, “aluno laureado da Academia de Belas-Artes, onde concluiu distintamente o curso de pintura histórica”. O mesmo periódico informa que o pintor “vai àquele importante centro artístico completar a sua educação, estudando com os grandes mestres, subsidiado pelo Legado Valmor, concessão que obteve como prémio das notáveis aptidões que tem revelado na especialidade a que se consagrou”. E conclui: “De facto, o sr. Dórdio Gomes é um verdadeiro temperamento de artista e certamente a sua estada no estrangeiro lhe será altamente proveitosa. Não pode, portando, restar dúvida de que virá a evidenciar-se brilhantemente, pelos seus merecimentos e qualidades, como um notável ornamento da arte em Portugal, retribuindo assim, generosamente, o subsídio de que vai aproveitar-se, e comprovando a justiça com que ele lhe foi concebido”.
Fonte: O Século, n.º10423, 18 de Dezembro de 1910, p.1

19 de Dezembro de 1910 - A administração do Pinhal de Leiria
É denunciada no jornal O Século a “ruinosa” administração do Pinhal de Leiria. O redactor da notícia chama a atenção para a necessidade urgente de “um conjunto de providências” que visem melhorar a administração daquele pinhal, nomeadamente “que seja mandado suspender o sistema dos cortes rasos do pinhal, um desastre duplo para esta magnífica propriedade e para os cofres do estado”, uma vez que a administração, “para evitar trabalho (…), limita-se a converter, cada ano, um grande número de hectares em charneca, vendendo-se os pinheiros por qualquer preço, e nada mais”.
Fonte: O Século n.º 10424, 19 de Dezembro de 1910, p.3

20 de Dezembro de 1910 - Admissão de mulheres
É noticiada no jornal O Século a publicação do decreto relativo ao funcionamento da Junta de Crédito Público, que prevê a admissão de “quinze senhoras para a contagem, colocação e registo dos coupons da nossa dívida interna e externa”. Referindo que “a exemplo do uso seguido nos países mais cultos, afigura-se de toda a vantagem confiar a mulheres estes trabalhos, leves de sua natureza, não obstante a sua capital importância”, o periódico chama a atenção para o facto de não ser “uma inovação, entre nós a colaboração feminina em serviços do Estado”, uma vez que “nas alfândegas, nos correios, nos telégrafos, na Casa da Moeda, é de manifesta eficácia a cooperação da mulher”. O redactor defende ainda que “esta concorrência com o trabalho masculino não pode trazer senão vantagens numa democracia em que o objectivo de cada um deve ser prestar à Pátria o seu quinhão de serviços”.
Fonte: O Século n.º 10425, 20 de Dezembro de 1910, p.6

21 de Dezembro de 1910 - Reforma do actor Joaquim de Almeida
Noticia o jornal O Século que “o glorioso artista Joaquim de Almeida, a cuja velhice os governos da monarquia não quiseram atender, obstinando-se ingratamente a conceder-lhe a reforma que pedia e a que tinha jus, acaba finalmente de conseguir do governo da República o galardão material que lhe podia caber, depois de tantos anos de serviço consagrados ao levantamento da arte nacional”. O redactor foca que a notícia “causará júbilo a todos os admiradores e amigos do velho actor”, dado que, nos últimos tempos, “era com olhos marejados de lágrimas que víamos presentemente esse Hércules do teatro português de outrora arrastar-se cheio de anos e exausto de forças (…), por vários tablados modestos, a solicitar do público os meios de que carecia para viver, valendo-se, para isso, da lembrança dos esplendores de que, em plena virilidade de génio, foi coberto o seu nome”. Fonte: O Século n.º 10426, 21 de Dezembro de 1910, p.2

22 de Dezembro de 1910 - Família real no exílio
O jornal O Século relata pequenas notícias relativas à vida da família real no exílio: em Londres, o jornal Daily Mail anuncia que “procurando preparar-se dignamente para a eventualidade do seu país o chamar para o trono, D. Manuel resolveu assistir aos cursos da Universidade de Oxford no próximo ano”; e em Nápoles, “D. Maria Pia insistiu com D. Afonso” para permanecer naquela cidade, “dizendo-lhe que só tendo-o perto de si é que o desterro lhe parecia menos triste”. Quando estes dois membros da família real deposta se dirigiam de automóvel “para uma pitoresca povoação próxima”, uma das peças do carro soltou-se, “ficando uma roda deslocada”. Enquanto o motorista ficou a reparar o dano, D. Afonso e sua mãe “continuaram o caminho a pé”.
Fonte: O Século n.º 10427, 22 de Dezembro de 1910, p.5

23 de Dezembro de 1910 - “Uma visita deliciosa”
O jornal O Século anuncia: “Nesta quadra do ano que toda a gente pensa nos brindes do Natal, Ano Bom e Reis, não podemos deixar de recomendar aos nossos leitores a Pastelaria Primorosa, Rua do Carmo, 50-52, onde se vê uma brilhantíssima exposição de Bombons, Drops e lindas cartonagens com chocolates das melhores marcas e muitíssimos outros artigos de novidades, próprios para brindes, por preços extraordinariamente baratos. Esta visita também se torna agradável porque ao prazer alia-se o bom gosto comprovado pelas pessoas que ali vão comprar os belos doces do seu esmerado fabrico”. Fonte: O Século n.º 10438, 23 de Dezembro de 1910, p.5

24 de Dezembro de 1910 - Festa encantadora
Em plena quadra natalícia, o jornal O Século chama a atenção para a festa que irá ter lugar nos Grandes Armazéns do Chiado. Essa “verdadeira festa, destinada especialmente à infância, em que lindíssimos brinquedos e interessantes objectos para brindes despertam a curiosidade e realçam o seu valor por uma deslumbrante iluminação à veneziana” deverá, segundo aquele periódico, “fazer convergir (…) muita gente a visitar a galeria de utilidades e bazar” dos armazéns.
O mesmo jornal destaca que a decoração de natal dos Armazéns do Chiado “já é atraente na presente ocasião com a árvore do Natal, cascata e nora hidráulica”, sendo então de “supor o efeito que nela deve produzir uma iluminação à veneziana”. Fonte: O Século n.º 10429, 24 de Dezembro de 1910, p.3

25 de Dezembro de 1910 - A festa da família
O dia de Natal tem particular destaque no jornal O Século, por ser um “dia de paz e de alegria. Dia de confraternização, de tranquilidade nos lares, de desta nas famílias”. É destacado o aspecto e ambiente que as ruas da cidade conheceram por estes dias: a rua do Ouro, “artéria chic da cidade” é marcada pelas “vitrinas caprichosamente ornamentadas”; o largo de S. Domingos, ao Rossio, caracterizava-se pelo ruído “ensurdecedor”, provocado pelos “bandos imensos de perus (…) atirando para o ar o seu estridente glu-glu, como se os animasse a consciência de que, afinal, são eles as únicas vítimas desta época festiva”; no Rossio vários guardas cívicos, “delicadamente, em tons corteses, fazem afastar os grupos de mirones (…) que se juntam às portas dos estabelecimentos, tapando-lhes as vitrinas, e, o que é pior, o trânsito dos peões”. Fonte: O Século n.º 10430, 25 de Dezembro de 1910, p.1

26 de Dezembro de 1910 - Dia sem notícias
Devido ao feriado do dia de Natal, e “conforme os anos anteriores”, não se publica neste dia o jornal O Século, “conservando-se, por esse motivo, fechados hoje os escritórios e as respectivas sucursais”.
Fonte: O Século n.º 10430, 25 de Dezembro de 1910, p.1

27 de Dezembro de 1910 - Nova Lei do Inquilinato
Segundo o jornal O Século, o governo da República, “cumprindo antigas promessas do partido, tratou, apenas assumiu o poder, de acabar com o juízo de instrução e de dar aos comerciantes, nas lojas por eles ocupadas, a estabilidade que vinha sendo há tanto tempo reclamada pelos interessados”, relativa às regras do inquilinato a que estavam sujeitos. Em agradecimento pela acção do governo, a Associação dos Lojistas dirigiu-se ao ministério do Interior, onde “o sr. Pinheiro de Melo, depois de breves palavras, leu uma mensagem de saudação e agradecimento pela referida lei, que veio satisfazer antigas aspirações da classe”.
O Dr. Teófilo Braga agradeceu a manifestação desta associação, que depois foi entregar mensagem semelhante ao ministro da Justiça, dr. Afonso Costa.
Fonte: O Século n.º 10431, 27 de Dezembro de 1910, p.1

28 de Dezembro de 1910 - Discos e máquinas falantes
O Século publica um anúncio da casa Simplex, distribuidora de discos e “máquinas falantes”. O novo sucesso é “A Portuguesa, tocada pela banda da Guarda Republicana,
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gravada em discos de double face para todas as marcas de máquinas falantes”. Contudo, a loja anuncia que “acabam de chegar novos discos e entre eles «O ferreiro político», disco da actualidade e de grande sensação”. A Simplex dispunha ainda “máquinas falantes das melhores marcas” e de uma “oficina de reparações”, contando também com “um novo catálogo ilustrado”.
Fonte: O Século n.º10432, 28 de Dezembro de 1910, p.4

29 de Dezembro de 1910 - Portugal turístico
O jornal O Século dedica um artigo ao problema do turismo em Portugal, relevando que, “muito embora Portugal não haja sido um dos países que mais cedo se lançaram na exploração da indústria do estrangeiro, na há dúvidas que muito se tem feito para atrair à terra portuguesa essa imensa multidão que vive percorrendo o mundo, e que por toda a parte espalha às mãos cheias o seu ouro”.
O redactor defende que Portugal pode “vir a ser um país preferido para vilegiatura pelos touristtes”, “explorando com incalculável proveito a indústria do estrandeiro”. Mas para isso há que se “civilizar” um pouco mais. Segundo um proprietário de uma agência de viagens, o turista ainda não é bem recebido em Portugal, porque “intérpretes e cocheiros, em plena liberdade como estão agora, não recuam perante audácia de nenhuma espécie para subtraírem ao estrangeiro que nos visita quantias, por vezes, exorbitantes” e porque “a não ser em Lisboa e Porto, é tão difícil (…) encontrar pelo país um bom hotel”. E conclui: “sem hotéis limpos e acolhedores não há país que possa atrair o estrangeiro”.
Fonte: Século n.º 10433, 29 de Dezembro de 1910, p.1

30 de Dezembro de 1910 - O Museu da Revolução
Teve eco na imprensa e no jornal O Século a inauguração do Museu da Revolução, instalado no antigo convento das Doroteias, no Quelhas e organizado pela Associação “Vintém Preventivo”.
A cerimónia de inauguração iniciou-se com a execução de “A Portuguesa” pela banda dos marinheiros, ao que se seguiu um almoço ao qual assistiram, entre outros, Afonso Costa, Bernardino Machado, Eusébio Leão, Anselmo Braamcamp e José Relvas.
No final do banquete, foram proferidos discursos de louvor à República e às suas instituições, seguindo-se a visita à exposição. As salas, “que estiveram vigiadas por cidadãos voluntários (…) abriram-se depois ao público, sendo visitadas, até ao escurecer, por grande quantidade de pessoas”.
Fonte: O Século n.º 10434, 30 de Dezembro de 1910, p.1

31 de Dezembro de 1910 - A expansão d’O Século
O jornal O Século é um dos periódicos de referência nacional, sendo que no último dia do ano publica o seguinte texto, com o título em epígrafe: “Para facilitar as relações do público com O Século, tem este jornal estabelecidas, em vários pontos da cidade, sucursais onde são expostas, em placards, como na montra grande do edifício do jornal, as notícias de casos sensacionais que se vão dando no país e no estrangeiro e se recebem todas as comunicações respeitantes a assuntos da redacção.
Nas sucursais do Século tratam-se igualmente os assuntos de administração, tais como publicação de anúncios de comércio, de criadas, vendas, casas, leiloes (…); abrem-se e renovam-se assinaturas do Século, Ilustração Portuguesa, Suplemento Ilustrado, edição do Século para o Brasil e colónias portuguesas, Sports Ilustrados e vendem-se também estas publicações, assim como o Almanaque do Século, capas para encadernação de folhetins, da Ilustração e do Suplemento, etc.”
As sucursais podiam encontrar-se nos seguintes pontos: Terreiro do Paço, Largo de Alcântara, Largo do Rato, Largo da Estrela, Largo da Fundição de Baixo, Beato, Bairro Camões, Praça do Duque de Saldanha, rua da Junqueira, Estefânea e Cruz das Almas.
Fonte: O Século n.º 10435, 31 de Dezembro de 1910, p.2

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